Gostaria de chamar alma à minha consciência. Não sei se me é permitido ou logicamente correcto, mas gostaria de fazê-lo. Não porque o tenha que fazer, mas porque me apetece. Aliás, a questão de base em todo este pensamento é a posse. Serei eu dono da minha alma e soberano absoluto de toda a riqueza e pobreza que aí perdura? A teologia e a lógica científica poderiam discutir essa dúvida ou mesmo a pertinência da mesma, mas hoje forço uma vontade régia de falar sobre a posse da alma.
Não tendo posse formal ou legal sobre a minha alma, vejo-nos, após todos estes anos de intrínseca convivência, como dilectos irmãos siameses. Alternam-se as situações de ordem com as de caos, as dúvidas com as certezas no meio desta mescla de percepções. Gostava de mandar na minha alma, de forma lógica ou ilógica, mas acho que tal não é possível. Recorda-me um qualquer ser selvagem, onde a rara posse do mesmo é tão poderosa como perpétua. Talvez seja isso, porque acho que a posse da nossa alma é disputada por muitos, mas partilhada por poucos. Poucos são aqueles que nos tocam verdadeiramente na alma e reclamam um quinhão da mesma, seja pelo custo, seja pela nossa vontade.
Companheira de sempre, a alma, não é mais que a forma como os outros me alcançam através de mim mesmo. Um baú de mensagens e experiências, de vontade e de saber, daquilo que somos e por vezes não somos… uma viagem, um encontro ou um sonho. Gostaria que fosse um filme argumentado pelo destino e interpretado por outros como tu ou eles, mas em que o espectador fosse eu e a tela fosse mágica, porque só assim, ambos seguiríamos juntos e contentes.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
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Um comentário:
Caro Achilles, um bem-haja pela escrita. Partilho do sentimento sem conseguir expressá-lo com fizésteis. Tanto que corremos pelos aeroportos da vida e, vai na volta, sobra apenas o ser. Porque no 3D somos, mas para além do espeço cartesiano existimos. "Os dias passam devagar, os anos a correr; e quando damos conta é tarde de mais." (Alexandre O'Neill).
Seu respeitosamente, oCzar
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